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Saturday, 16 May 2009

Inocência


O sorriso foi tímido. Não sabia que um menino com um cão nos braços poderia fazê-la ficar assim. Quando foi praquela parte da casa só pensava em ficar no sol deixando sua mente vagar em nada para assim esquecer do tudo. Fechou os olhos e deixou sua carne sentir aquele calor em meio a tantos blusões e meias de lã. Sentiu paz, eu diria. Ficou por uns 15 min de olhos assim, pele quente, mente vazia. Parece que meditava. Não sabia se podia fazer isso já que sua mente sempre estava a mil com tantos problemas e soluções para serem resolvidos. Mas era sentada,pés na grade, olhos semi cerrados com faíscas flutuantes na visão que acreditou que se sentia bem.

E quando estava tomada de um nada, olhou pras casas vizinhas e avistou o que a faria sorrir novamente. Ele estava de blusão verde e calça cinza. Calçava chinelos mas estava de meias. E acariciava o pequeno cão com tanto amor que sem saber arrancava um sorriso. Era calmo, sutil e amoroso. Agarrou o pequeno cão pelo colo e o colocou em seus braços como se fosse um bebê. Quanta simplicidade, meu Deus. Era realmente possível ter beleza em tão pequenas coisas, bastava ter tempo de enxergá-las. Quis naquele momento ser os dois : cachorro e criança. Quis receber e dar carinho despretenciosamente. Quis que o sol a queimasse mais para que acordasse pra vida. O menino a viu e acenou. Acenou para uma desconhecida e isso a fez ver como deixamos de saudar as pessoas, como nem as vemos e mesmo vendo queremos não ver. Nem queremos ser vistos.

O sorriso foi tímido. E reencostando na cadeira, ela fechou os olhos e disse mentalmente : muito obrigada.